Novelas

Publicada em 27/06/2013 às 11h57. Atualizada em 27/06/2013 às 13h57

Papo de Novela - autista em 'Amor à Vida', Bruna Linzmeyer demorou para compor personagem


Atriz, de apenas 20 anos, responsável pelo sucesso da personagem Linda, estudou nove meses o autismo


Eliomar Santos
(eliomar.santos@redebahia.com.br)
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Ela chegou na telinha já no horário nobre na novela 'Insensato Coração', mas, a meu ver, deixou a desejar como a patricinha Leila que queria irritar os pais a qualquer custo. Hoje com 20 anos, a atriz Bruna Linzmeyer agrega a seu currículo um quarto trabalho na Globo, diferente de tudo o que já viu e viveu na vida.

Bruna Linzmeyer encara uma autista em sua quarta novela


Com o papel da autista Linda na novela 'Amor à Vida', Bruna dá show de interpretação toda vez que aparece em cena. Sempre mostrando o drama vivido pelas pessoas com autismo - síndrome que afeta a capacidade de comunicação, socialização e de comportamento de uma pessoa -, a personagem tem tomado uma maior proporção nos últimos dias, quase um mês depois que a novela começou a ser exibida na emissora.

Apesar disso, Linzmeyer aproveita as oportunidades dadas pelo autor Walcyr Carrasco e não deixa a 'peteca' cair um só minuto, segurando o tom do papel perfeitamente, assim como o ator Bruno Gagliasso fazia com o esquizofrênico Tarso, em 'Caminho das Índias'. Na época, o ator confessou que o que lhe ajudou a montar o papel foi a peça 'Um Certo Van Gogh', que ele fez parte do elenco em cartaz em 2008. "O Van Gogh era esquizofrênico, bipolar...Eu já tinha lido muita coisa sobre isso. Foi muita sincronicidade, energia, tudo conspirou a favor. Era para ser", afirmou ele.

Bruno Gagliasso viveu o esquizofrênico Tarso, em 'Caminho das Índias'


Assim como Bruno, para Linzemeyer chegar a esse ponto em seu papel não foi de um dia para o outro. Em várias entrevistas, pouco antes de começar a novela, Bruna revelou que caiu de cabeça no assunto e estudou cerca de nove meses até compor completamente o personagem. Segundo ela, foram livros, filmes, artigos, além de muitas visitas às associações especializadas em autismo. Pelo visto deu certo.

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Para uma jovem atriz, interpretar um papel difícil, que exige uma concentração especial e estar ao lado de grandes nomes da televisão brasileira, é uma experiência enriquecedora e desafiadora, afinal de contas o assunto nunca foi abordado nas teledramaturgias globais.

Bruna disse que ficou nove meses estudando para compor o personagem Linda


Além de mostrar como é o convívio com uma pessoa autista, a trama também tem abordado o ponto de vista das pessoas que sofrem com a síndrome, assim como os sentimentos que eles têm, que são comum às pessoas tidas como 'normais'. Para compor as cenas, Carrasco exibe ainda as ofensas de Leila (Fernanda Machado), irmã de Linda, que trata a jovem como um bicho e sempre faz questão de afirmar que ela não pertence ao seu mundo.

As atitudes da ambiciosa interferem nitidamente no comportamento de Linda, que sempre se exalta ao ouvir a voz da irmã ou alguém citar seu nome. Por sinal, essas reações que Bruna tem mostrado no folhetim são de um grau mais elevado no autismo. Isso porque, no nosso cotidiano, é possível encontrar autistas que não parecem ser portadores da síndrome e, alguns deles, mantêm a vida naturalmente, tendo dificuldades apenas de interagir com o outro.

Na trama, Carrasco mostra o convívio de um autista na sociedade


Diferente dos outros papéis que fez, em seu atual personagem, a atriz abre uma discussão importante na sociedade, que pouco conhece sobre o autismo. Assim que concluir essa fase de sua vida, ela estará pronta para fazer qualquer outro papel e, pra mim, tem grandes chances de se tornar parte do elenco de peso da emissora.

* Papo de Novela é uma coluna opinativa do portal iBahia





Tags: Coluna, Papo de Novela, Bruna Linzmeyer, Novelas, Amor à Vida, Autismo