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Câmara é palco de confusão após secretário de Educação chamar vereador de decadente

Também do PSOL, o vereador Tarcísio Motta criticou a postura de Benjamin com o Legislativo municipal.

Da Redação ([email protected] )
- Atualizada em

Convocado para ir até a Câmara de Vereadores, onde se esperava que os ânimos exaltados pudessem ser tranquilizados numa audiência pública sobre os problemas da pasta, o secretário municipal de Educação, Cesar Benjamin, acabou se envolvendo nesta quinta-feira em novos bate-bocas. Recentemente, ele já havia se desentendido com o secretário da Casa Civil, Paulo Messina, a quem chamou de "Napoleão de hospício e espertalhão", ao dizer que estavam querendo transformar a sua secretaria em "moeda de troca".

Ele começou a dar informações em tom amistoso aos vereadores que se reuniram para ouvi-lo, mas, pouco a pouco, o clima foi ficando tenso, com o aumento das cobranças por parte dos parlamentares. Benjamin então voltou a dar declarações ríspidas. A discussão mais quente foi com o vereador Renato Cinco (PSOL), que o criticou, dizendo que ele tinha liberado servidores da Educação para irem aplaudi-lo na audiência. O secretário foi contundente na resposta, afirmando que vinha, há algum tempo, acompanhando a "decadência do parlamentar". Foi preciso que seguranças agissem para a briga não ganhar maiores proporções.

— Eu venho acompanhando a decadência do vereador Renato Cinco, mas não esperava que se chegasse a esse ponto — afirmou o secretário, fazendo com que a sessão fosse temporariamente suspensa.

Cinco se aproximou do secretário para cobrar explicações e, como estava exaltado, foi contido por funcionários da segurança da Casa. Em seguida, Benjamin pediu desculpas ao parlamentar, após o vereador Célio Luparelli, que presidia a sessão naquele momento, ter intercedido para acabar com o bate-boca.

FALTA DE PESSOAL

Quando a audiência ainda transcorria com alguma tranquilidade, Benjamin chegou a informar sobre os problemas de falta de pessoal da rede municipal de educação. Segundo ele, faltam 1.065 docentes na rede (272 na educação infantil, 483 de primário, 310 de ginásio). Há também, de acordo com ele, um déficit de 642 merendeiras, 450 agentes de educação especial, além de secretários escolares e porteiros.

— Sabemos o que fazer, mas ainda faltam recursos: 8% das escolas não têm conexão com a internet, e, em muitas outras, a conexão é precária. A conectividade permanece como problema - acrescentou o secretário sobre os problemas na pasta.

Benjamin também chamou a atenção para a evasão escolar. Nos cinco primeiros meses de 2018, foram 8.416 casos de evasão na rede. A secretaria, entretanto, não sabe dizer se esses alunos simplesmente deixaram de frequentar a escola ou se trocaram de cidade.

A manutenção da rede também é um problema. Das escolas da rede, 66% não contam com quadras. São 1.537 escolas na rede. Durante o seu discurso, ele afirmou que o programa Conservando Escolas "é uma grave preocupação". Segundo ele, para mantê-lo em funcionamento pleno durante um ano, seria preciso investir R$ 40 milhões:

— Até hoje, empenhamos quase R$ 15 milhões. Neste momento, não temos cobertura orçamentária para investir os R$ 25 milhões de que necessitaremos. Ainda não descobrimos como solucionar este angustiante problema.

RELAÇÃO TUMULTUADA PREVALECEU

Mas a tumultuada relação que o secretário Cesar Benjamin tem com os vereadores acabou prevalecendo. A vereadora Rosa Fernandes resolveu questionar o secretário sobre a declaração que ele dera, quando trocou farpas com Messina, de que tentavam transformar a pasta da educação em "moeda de troca". Benjamin alegou que a declaração se tratava de "fake news". O titular da Educação aproveitou para fazer um mea-culpa na sua conturbada relação com a Câmara de Vereadores, pouco antes da discussão com Renato Cinco.

— Eu nunca declarei isso. Hoje estamos vivendo o mundo das Fale News. Criou-se uma imagem de que eu sou contra a Câmara de Vereadores. É uma imagem falsa. Eu sou um democrata, e a política é essencial à democracia. Vocês são representantes do povo. Como minha agenda é extremamente sobrecarregada, há uma falta de comunicação frequentemente. Quero declarar de coração aberto a vocês que meu gabinete está aberto. Não tenho nenhum preconceito em relação às Câmara de Vereadores.

O vereador Brizola Neto (PSOL) questionou a ausência de Benjamin na sessão convocada pelos parlamentares para prestação de contas no dia 16 de maio, para discutir a Lei de Diretrizes Orçamentárias, o que não ocorria há 20 anos. Neto criticou a falta de diálogo do titular da educação. Ele destacou que Benjamin foi obrigado a comparecer à audiência, o que é uma afronta à democracia.

— Nesse quiprocó com a Casa Civil dentro do Executivo, o senhor citou Darcy Ribeiro. Por que não reforma Ciep? Ou quais foram reformados? — perguntou.

O secretário rebateu dizendo que foi o vereador quem faltou a um compromisso marcado:

— No ano passado, o vereador também disse as mesmas palavras. Após uma audiência na Câmara, minha chefe de gabinete disse: Esse vereador é aquele que te deixou esperando no dia 26 de junho. Na verdade, vereador, o senhor marcou audiência comigo, o senhor faltou e o senhor subiu à tribuna — disse o secretário, sendo interrompido aos gritos de "mentiroso" pelo vereador Brizola Neto. - A SME sabe que eu não minto. Por isso eles me respeitam. Eu desafio o senhor a apresentar ao MP as suas denúncias.

Outro ponto de discordância entre o parlamentar e o titular da pasta foi a falta de proteína na alimentação escolar. A informação, apresentada pelo vereador, foi negada por Cesar Benjamin, que também disse que os Cieps estão em reformas. Também do PSOL, o vereador Tarcísio Motta criticou a postura de Benjamin com o Legislativo municipal.

— Acho que já se estabeleceu uma relação do senhor com a Câmara que precisa ser revista. O que precisamos votar aqui é se as metas de 2019 são condizentes com a situação do município. Temos que discutir o Orçamento previsto e quais são as prioridades. O senhor não avalia que a sua relação com a Câmara tem se acirrado? Não estamos aqui para avaliar os seus projetos, mas o que foi cumprido no Orçamento. Nossa função é fiscalizar. Não tenho condições de apresentar emendas à LDO porque o descompasso é enorme — afirmou o vereador.

Cesar Benjamin afirmou que os parlamentares estão "superestimando" a ausência do secretário na audiência do dia 16 de maio:

— Vereador, trouxemos um conjunto de documentos para que todos entendam o que é essa máquina. Procurei dar uma visão qualitativa. Acho que vocês estão superestimando a minha não vinda anterior. A minha não vinda se deu porque essa crise estava no auge e eu não sabia se seria secretário no dia seguinte. Embora eu tenha sido obrigado a vir, estou aqui por pura e espontânea vontade.

A vereadora Teresa Bergher (PSDB) vai encaminhar representação ao Ministério Público, sobre os contratos da secretaria de educação com as ONGs Inatus e Mazan. “Quando eu era secretária de assistência social, rescindi contrato com a inatus porque não vinha pagando os terceirizados. A empresa foi considerada inidônea e não pode celebrar convênios com o município. O Mp também precisa investigar os contratos emergenciais com a mazan”, denunciou Teresa.

Durante um desabafo sobre as dificuldades da rede, o secretário também criticou jornalistas que, de acordo com ele, "não têm responsabilidade e trabalham em ambiente refrigerado". Benjamin disse que todos os dias, entre as 6h e 9h, precisa estabilizar a rede.

Nesta quinta, por exemplo, o secretário contou ter conversado com a Polícia Militar. No início da manhã, Benjamin trocou mensagem com o comandante do Estado-Maior da Polícia Militar do Rio após ter recebido a informação de que forças de segurança planejavam acampar no Ciep Joaquim Pimenta, na Cidade de Deus. Após a mensagem, Benjamin recebeu a garantia de que isso não aconteceria.

Agência O Globo

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