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Carioca Engenharia pagou em torno de R$ 30 milhões em propina para grupo de Cabral

Contribuições subiram após reeleição do ex-governador, segundo Ricardo Pernambuco

A Carioca Engenharia sabia que pagava propina para o esquema de corrupção comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral. A afirmação foi feita pelo ex-diretor da empresa Ricardo Pernambuco em depoimento prestado na tarde desta segunda-feira (4) na 7ª Vara Federal Criminal. O ex-diretor, que depôs como testemunha de acusação em um dos processos contra o ex-governador, calculou em R$ 30 milhões o valor de propina destinado pela empreiteira ao esquema.

Segundo ele, quando as obras do PAC das Favelas das quais a Carioca participou começaram, as contribuições pagas pela empreiteira eram de R$ 200 mil. Após a reeleição de Cabral, esse valor - chamado por Ricardo Pernambuco de “mesada” - subiu para R$ 500 mil.

“Quando estava prestes a deixar o governo, o então governador disse que a Carioca tinha uma dívida de R$ 12 milhões. Após conversarmos, chegamos ao valor de R$ 8 milhões”, disse Pernambuco.



Ao ser questionado pelo Ministério Público se saberia qual o valor total pago ao esquema, o ex-executivo afirmou que o valor girava em torno de R$ 30 milhões.“Na contabilidade da empresa, tudo isso era entendido como propina, como vantagem indevida”, admitiu Pernambuco.

“Não era visto como contribuição eleitoral”, questionou o juiz Marcelo Bretas. “Não. Contribuição eleitoral era outra coisa”, respondeu Pernambuco.

'Pacto de não agressão'

Ainda de acordo com o executivo, foi firmado entre as empreiteiras o que ele chamou de “Pacto de não agressão”. Segundo ele, havia um acerto entre a Carioca, OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão e Delta para determinar quem venceria as licitações, tudo em acordo com o governo. Isso se dava por meio inclusão, no processo de licitação, de cláusulas que impediam a participação de outras empresas no pleito.

Depois de Pernambuco, Benedicto Barbosa, ex-presidente da Odebrecht, afirmou que a empreiteira pagou entre R$ 6,3 e 6,4 milhões ao ex-governador Sérgio Cabral.

“Em 2008, a Odebrecht manifestou interesse em reconstruir e gerenciar o Maracanã. No entanto, chegou-se à conclusão de que isso seria visto de forma negativa pelo público e isso poderia ser negativo a Cabral, que queria se reeleger em 2010. Depois de eleito, a Odebrecht foi escolhida para tocar a obra. Nesse momento, o governador pediu o pagamento de uma taxa de 5% sobre o valor do contrato”, afirmou Benedicto Barbosa.

Sobre a obra do Maracanã, o executivo relevou ter tido uma derrota pessoal. “O governador impôs a presença da Delta na obra de reconstrução do Maracanã. Ficou claro que, se não aceitássemos, a Odebrecht poderia ficar de fora”, relembrou.

Obras do PAC e reforma do Maracanã investigados

Cinco réus investigados pela Operação Lava Jato do Rio são interrogados nesta segunda-feira (4), no Tribunal Regional Federal, na Zona Portuária do Rio. Eles foram citados na Operação Crossover, que apura fraudes nas obras de reforma do Estádio do Maracanã e no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Favelas. A audiência começou por volta das 13h40, com o depoimento de Pernambuco.

Agência O Globo

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