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Cerca de 20% das mulheres brasileiras não frequentam ginecologistas

O levantamento demonstrou que parte das entrevistadas não considerem importante ou necessário

Brenda Sales, Evelin Portugal, Gabriel Andrade, Luiza Novaes e Rafaela Menezes ([email protected])
- Atualizada em

            Uma pesquisa indicou que aproximadamente 20% das mulheres residentes no Brasil e acima dos 16 anos não vão ao ginecologista com regularidade. Nesta categoria, se encaixa quem nunca agendou uma conversa com o ginecologista e as que só fez isso “uma vez ou outra”. O estudo foi encomendado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e conduzida pelo Instituto Datafolha.

            O levantamento foi realizado em 2018 e entrevistou mais de mil mulheres, de diferentes classes econômicas, em 129 municípios de todas as regiões do país. As principais razões são por se considerarem saudável (31% das respostas), mesmo sem ter passado por qualquer avaliação, e outros 22% afirmaram não achar importante ou necessário. Além disso, 4% das entrevistadas não se lembram se foram ou não ao especialista.

                                    

frequência da ida das mulheres ao ginecologista e os principais motivos

            A mesma pesquisa demonstrou haver um difícil acesso a essa especialidade médica. Perguntadas se há médicos ginecologistas de fácil alcance na região onde moram, aproximadamente quatro a cada dez sinalizam que a cobertura é restrita. 

            Além da dificuldade do acesso, mulheres relataram traumas com ginecologistas em função de diagnósticos errados, que pode acontecer principalmente em resultados de exames de doenças sexualmente transmissíveis, o que pode acarretar na responsabilização civil do médico, laboratório ou hospital em questão.

            Rafaela Moraes, 23, relatou que começou a sentir uma dor muito forte no lado esquerdo pélvico, o que a fez ir para o hospital, no dia 31 de dezembro de 2018. Foi feita uma ressonância magnética, indicando que ela tinha um cisto de dois centímetros no ovário. Explicaram, na época, que se tratava de um cisto hemorrágico e que não precisava de cirurgia porque o mesmo sumia sozinho.

            “Na época eu fiquei mais ou menos tranquila, porque apesar de estar com dor, a médica falou com muita certeza de que ficaria tudo bem. Isto foi na emergência e então eu voltei para casa. A dor continuou e inclusive aumentou, então resolvi ir em outro médico, pelo plano de saúde. Fiz os mesmos exames e ele também concluiu que era um cisto hemorrágico”, afirma.

            Rafaela relata que estava muito nervosa porque nisso já se passara um mês e o cisto não sumia, a dor continuava e ela tomando medicação e soro. “Fui em outro médico, paguei um particular e esse médico não olhou nenhum exame meu, eu falei o que havia acontecido e o que eu estava sentindo e ele falou as mesmas coisas, que era um cisto hemorrágico, que iria sumir e que iria ficar tudo bem”, conta.

            Já haviam passado dois meses até o último exame de ressonância magnético indicar que o cisto crescera. Ao visitar um último médico e realizar novos exames, descobriram que se tratava de um tumor purulento, ou seja, havia pus no tumor e que necessitava de internamento e antibiótico. Nesse processo, as trompas foram danificadas, provavelmente haverá perda total da trompa esquerda, transtornos que poderiam ter sido evitados se o diagnóstico correto houvesse sido dado de maneira mais célere.

            Em caso de diagnóstico de doenças, as pacientes com plano de saúde, se quiserem buscar uma opinião diferente, conseguem marcar consultas e exames com outro especialista com facilidade, de acordo com a Associação Nacional dos Usuários de Plano de Saúde.

            Já para quem depende do Sistema Único de Saúde, se houver dúvida no primeiro diagnóstico, o segundo não poderá ser feito na rede pública. O paciente precisa então procurar uma clínica particular e realizar novos exames.

            Diferentes mulheres alegaram que parte da falta de confiança decorrem da ocorrência de situações divulgados pela mídia como os casos de violência obstétrica, além dos de abusos sexuais e assédios que ocorrem dentro dos consultórios.

            Alguns LGBTs também relataram que sentem que os profissionais não são preparados para atendê-los. Muitas mulheres, inclusive, têm recorrido a forma de tratamento alternativos para não consultarem os médicos.

GINECOLOGISTAS

            Segundo uma pesquisa da SOGESP-DataFolha, divulgada em Julho de 2018, 94% dos ginecologistas e obstetras afirmam que planos de saúde prejudicam autonomia médica. Aproximadamente sete de cada dez profissionais avaliaram o serviço das operadoras como regular, ruim ou péssimo.

            Seis de cada dez entrevistados denunciaram a pressão para restringir internações. Além disso, dos médicos entrevistados, 61% relataram que pretende se descredenciar dos planos ou disse já ter se descredenciado nos últimos cinco anos.

            Em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS), oito de cada dez médicos avaliaram a qualidade dos serviços públicos como regular, ruim ou péssima e 93% deles afirmaram ter sofrido ou presenciado algum tipo de agressão no ambiente de trabalho.

           A ginecologista Marizene Lemos explica que uma das maiores problemáticas de as mulheres começarem a frequentar essa especialidade médica já na idade adulta, ao invés de quando iniciada a vida sexual, ocasiona na falta de um planejamento familiar efetivo, sendo que a orientação das famílias e das escolas já vem deixando a desejar. A médica diz que é essencial que a secretaria de saúde se articule com a secretaria de educação para trazer políticas públicas eficazes para a população. 

           Para a ginecologista Juliana Mattos, o principal motivo das mulheres não frequentarem os consultórios está relacionado com o autocuidado. As pessoas muito jovens, para ela, tendem a ser mais negligentes com a própria saúde. "Muitas vezes as mulheres não procuram o médico porque se acham saudáveis e pensam que não vai acontecer nada", conta. 

           Juliana afirma que a ginecologia está relacionada a prevenção, essas pessoas que não se cuidam acabam só procurando o médico após haver contraído algum problema. De acordo com a médica, essa característica está relacionada à falta de educação, de acesso a informação, enquanto outras não procuram por vergonha ou por se sentirem inseguras. 

                                                A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

            A gestação é um período de grande sensibilidade para a mulher e o parto é, sem dúvidas, o momento de maior ansiedade para as gestantes. O que deveria ser um processo cuidadoso e respeitoso, para muitas, o parto acaba sendo uma ocasião repleta de traumas, falta de empatia e violência.

            Priscila Marques, 27, relata que sua experiência com o primeiro o parto foi tão traumática que ocasionou numa depressão pós-parto, um transtorno considerado muito comum que acomete cerca de 30 a 40% de mulheres por ano em todo o Brasil, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

          “Eu cheguei a sofrer violência obstétrica antes mesmo do trabalho de parto. Eu tinha enjoos muito fortes e estava sempre na emergência do Hospital Sagrada Família.”, conta. “Eu era obrigada a ficar sozinha na sala de espera e eu via um monte de grávida desesperada passando mal e sem poder ter acompanhante. Cheguei a presenciar dois abortos e foi horrível!”, completa.   

            No Sistema Único de Saúde (SUS), a mulher grávida tem direito a um acompanhante (homem ou mulher), de sua indicação, durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto. No entanto, nem sempre isso é respeitado. Priscila comenta que viu uma gestante de 15 anos sozinha em trabalho de parto, porque não permitiram que ela fosse acompanhada. Por conta disso, ela resolveu fazer uma denúncia no Ministério da Saúde, na esperança de uma melhora.

             “Quando cheguei em trabalho de parto, minha mãe subiu comigo, mas, com medo de não poder ter acompanhante, pegamos um apartamento. Colocaram oxitocina sintética, sem me explicar o que era, e em grande quantidade. Não me deixaram andar como eu queria, fiquei deitada o tempo inteiro com o ‘sorinho’ caindo.”, conta.

            “Quando eu estava com a dilatação completa, no caminho da sala de parto, os maqueiros falaram ‘ano que vem você está de volta, né? Para ganhar o Bolsa Família’, conclui a jovem, indicando que houve uma falta de sensibilidade dos funcionários.

            Priscila ainda conta que, na hora do parto, o descaso continuou. Ela afirmou que precisou insistir para lhe darem analgésicos - era parto normal - e que uma enfermeira pediu que ela não gritasse durante o procedimento, para, supostamente, não perder a força. “Isso, porque eu estava sendo atendida pelo plano de saúde. Imagina quem está pelo SUS?”, faz uma ressalva.

            Com Ada Assis, 25, a situação não foi muito diferente. Ela foi atendida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e conta que sofreu muito durante o parto. “Eu estava perdendo muito sangue, não sabia o que estava acontecendo, não sabia se era normal, ficava o tempo todo perguntando pra ela (obstetra) se estava tudo bem e ela não me respondia. Ela olhava pra minha cara, anotava alguma coisa no prontuário e saía da sala.”, relata. “Minha bolsa já tinha estourado, eu estava desesperada e a médica só me ignorava.”, completa.

            Ada conta que era parto normal e, depois de muito insistir por uma medicação para aliviar as dores, chega uma enfermeira com uma seringa de morfina. “Nem deu tempo de fazer efeito. Assim que ela aplicou, meu filho já estava nascendo.”, conta. “Na hora do nascimento, eu não estava com dilatação. A médica simplesmente olhou pra enfermeira e disse ‘eu vou ter que cortar ela’. Aplicou a anestesia e cortou na mesma hora. Eu senti tudo. Desde o corte até a costura. E a médica não falou nada do meu filho. Simplesmente cortou, fez o parto, costurou e saiu da sala. Eu nem vi a hora que ela saiu da sala.”, completa a jovem, explicando que a sensação foi horrível e traumática.

Reprodução: Senado Federal

CRIME

             Em alguns países da América Latina como Venezuela e Argentina, a violência obstétrica já é considerada crime. Já no Brasil, ainda não houve essa mudança na legislação, embora cause muitos danos físicos e psicológicos nas gestantes.

            É importante lembrar, no entanto, que existem leis que visam a proteção mulheres grávidas, durante todo o processo gestacional, e que elas devem ser respeitadas. Confira abaixo alguns direitos ligados à saúde da gestante, garantidos pela legislação brasileira:

        i.            Ser atendida com respeito e dignidade pelas equipes de saúde, sem discriminação de cor, raça, orientação sexual, religião, idade ou condição social.

      ii.            Aguardar o atendimento sentada, em lugar arejado, tendo à sua disposição água para beber e banheiros limpos.

    iii.            A gestante tem o direito, assegurado pela Lei nº 11.634 de 2007, de ser informada anteriormente, pela equipe do pré-natal, sobre qual a maternidade de referência para seu parto e de visitar o serviço antes do parto.

     iv.            Direito a vaga em hospitais: para o parto, a mulher gestante deve ser atendida no primeiro serviço de saúde que procurar. Em caso de necessidade de transferência para outro local, o transporte deverá ser garantido de maneira segura.

       v.            Acompanhamento especializado durante a gravidez, o que inclui exames, consultas e orientações gratuitas.

     vi.            A mulher internada para dar à luz em qualquer estabelecimento hospitalar integrante do SUS tem o direito de realizar o teste rápido para detecção de sífilis e/ou HIV.

                PACIENTES PREFEREM SEREM ATENDIDAS POR OUTRAS MULHERES 

            Fazer uma consulta ginecológica, algo que deveria ser considerado rotineiro na vida de uma mulher, pode gerar uma ansiedade e angústia incalculável. Tudo isso por uma simples razão: o profissional que vai atendê-la é um homem. Esta agonia não é sem motivo, apesar do número de casos não ser registrado oficialmente pelos órgãos públicos, não é difícil encontrar uma mulher que já tenha sofrido violência e abuso por parte de uma ginecologista.

Pesquisa revela que apenas 2,1% preferiam um médico, enquanto 17% preferiam uma médica. Foto: Gabriel Andrade

            Claudia*, 32, conta que demorou para perceber que o que se passava na consulta não era correto. “Ia nele [ginecologista] desde que tinha 16 anos, ele perguntava muito da minha vida sexual, mas até aí não achava nada estranho, imaginei que fosse parte do procedimento normal”, relata.

            “Só percebi que não era normal ele perguntar muitos detalhes, como fetiches e posições sexuais, quando conversei com minhas amigas da época sobre isso. Foi aí que troquei de médico, dessa vez escolhi por uma mulher”, completa.

            O depoimento de Claudia* não é isolado, os dados de um estudo com 435 mulheres atendidas no ambulatório de ginecologia do hospital universitário de Brasília mostram um cenário parecido: apenas 2,1% preferiam um médico, enquanto 17% preferiam uma médica. Já mais de 80% das entrevistadas não indicaram preferência.

            Para a esteticista Tailana Sodré, 24, casos de assédio como o que aconteceu com Claudia* afasta as mulheres de médicos do sexo masculino. “Infelizmente os casos de assédio dentro de consultórios não são incomuns e eu tenho medo. Além disso, eu não me sentiria a vontade de falar sobre o que vem me incomodando na área íntima do meu corpo com um homem desconhecido”, finaliza.

ÉTICA

            O médico da família Breno Soares afirma que muitas pacientes já vêm desconfiadas ao consultório, justamente por ele ser homem. “É uma das especialidades com maior número de denúncias e processos contra a má prática médica, por isso a gente tem que ter um trabalho muito maior para deixar a paciente confortável, gerar confiança”, relata.

            Um levantamento de cerca de 12 mil denúncias registradas entre 1996 e 2002 pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) confirma o depoimento de Soares. A especialidade Ginecologia e Obstetrícia responde por cerca de 12,16% das queixas.

            Das denúncias, 86% são referentes à Obstetrícia, e 14%, à Ginecologia. Dentre as denúncias que se transformaram em processos ético-profissionais (PEP), 30% são relacionadas à área.

            Em dados nacionais, o assédio sexual por parte de médicos contra pacientes foi motivo de 44% das cassações de registros profissionais ocorridas no Brasil, conforme dados do Conselho Federal de Medicina (CFM).

            A equipe de reportagem entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) em busca de informaçōes sobre o estado, entretanto, a assessoria de comunicação do órgão não soube informar dados referentes a denúncias ou processos contra ginecologistas e obstetras.

            Ainda conforme informações do Cremesp, estas especialidades também são o segmento mais denunciado por assédio sexual, respondendo por aproximadamente 24% do total de denúncias de assédio sexual.

            Sobre os abusos, Breno destaca que tenta desfazer a imagem ruim que alguns médicos deixam na especialidade. “Muitas mulheres já tiveram experiências ruins com profissionais homens, então, durante minhas consultas, tento desconstruir essa ideia que um homem não pode atuar na ginecologia de forma ética e profissional”, acrescenta Breno.

CASO FAMOSO

            Em 2009 um único médico respondeu, sozinho, por mais de 20% do total de denúncias de assédio sexual do Cremesp, enfrentando o total de 51 processos ético-profissionais. O caso ganhou o Brasil não apenas pela quantidade de denúncias, mas também pela notoriedade do profissional, que era conhecido como “médico das famosas”.

            Pacientes vindas de três estados diferentes denunciaram o ex-médico especialista em reprodução humana Roger Abdelmassih por violentar sexualmente suas pacientes enquanto estavam sob efeitos de sedativos. Ele, entretanto, se defendeu das acusações, afirmando estar sendo perseguido por clientes insatisfeitas e argumentou que estava sofrendo uma armação de concorrentes.

            Apesar de negar as acusações, no dia 17 de agosto de 2009, o Juiz da 16ª Vara Criminal de São Paulo, Bruno Paes Stranforini, decretou a prisão de Abdelmassih. Ele, que teve seu registro profissional cassado em 20 de Maio de 2011, foi condenado em 23 de novembro de 2010, a 278 anos de prisão.

LEGISLAÇÃO

            Atualmente, a lei criminaliza os atos de importunação sexual e divulgação de cenas de estupro, nudez, sexo e pornografia. A pena para as duas condutas criminosas é prisão de um a cinco anos.

            A importunação sexual foi definida como a prática de ato libidinoso contra alguém sem o seu consentimento “com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”. A nova tipificação substituiu a contravenção penal de “importunação ofensiva ao pudor”.

            Já o crime de estupro é classificado como crime grave no Código Penal, com penas de seis a dez anos de reclusão. Se for cometido contra vulnerável menor de 14 anos, a pena é de oito a 15 anos de prisão. Em todo o país, mais de 60 mil pessoas (30 a cada 100 mil habitantes) foram estupradas no ano passado, segundo a Pesquisa Segurança Pública em Números.

            O manual de Ética em Ginecologia e Obstetrícia da Cremesp também salienta que, além das esferas Civil e Penal, os médicos estão sujeitos a apuração e julgamento dos Conselhos Regionais de Medicina.

* O nome foi alterado para proteger a identidade da vítima

                                   A INVISIBILIDADE LGBT NA GINECOLOGIA

            A inclusão da comunidade LGBT no campo da ginecologia ainda é considerada um desafio. Por este motivo, pesquisas revelam que é comum associar que uma das causas que mais incidem o adoecimento dessa população está na falta de atenção específica dos profissionais que trabalham com ginecologia.

            Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e o Ministério da Saúde, o Papanicolau deve ser feito por todas as mulheres que já iniciaram a vida sexual, preferencialmente entre os 25 e 64 anos de idade, qualquer que seja a sua orientação sexual. Em entrevista ao Centro de Prevenção a Saúde (CEDAPS) Dayana revela não conseguir a devida orientação. “Dentro do sistema de saúde da mulher informações sobre prevenção voltadas para mulheres lésbicas não existem, muitas vezes temos que ensinar quais são as nossas demandas’, diz. ‘’Já passei por situações da médica me perguntar como as lésbicas transam para que ela tentasse entender quais seriam as possíveis formas de infecção, de contaminação e que então pudesse orientar uma forma de prevenção”, completa.

            Pesquisas comprovam o depoimento de Dayana, de acordo com estudos desenvolvidos entre março de 2008 e maio de 2009, pelas pesquisadoras Daniela Knauth e Nádia Meinerz, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, também com o auxílio de Claudete Costa, da Liga Brasileira de Lésbicas e Leila Lopes, do Coletivo Nacional de Lésbicas Negras Feministas Autônoma (Candace), chamado ‘Mulheres que fazem sexo com mulheres - As faces da homofobia no campo da saúde', foram feitas entrevistas para médicos e mulheres lésbicas, onde os médicos entrevistados informaram que receberam uma formação acadêmica ‘’insuficiente’’ e ‘’pouco científica’’ para abordar o tema de sexualidade.

            A pesquisa ainda revelou que os médicos não compreendem ou conhecem pouco as diferenças entre as expressões da diversidade sexual e de gênero, tendo dificuldades para diferenciar homossexuais, travestis e transexuais. Em relação às pacientes, a pesquisa revelou que as mulheres têm muita dificuldade em falar sobre o assunto e que aquelas mais masculinizadas, por exemplo, estão ainda mais afastadas dos serviços de saúde.

            Segundo Ana Maria Costa, diretora do Departamento de Apoio à Gestão Participativa do Ministério e autora do Documento Saúde da População de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, nem todos os profissionais de saúde estão preparados para lidar sem preconceitos com questões de sexualidade. Alguns sabem pouco sobre a vida e as práticas sexuais de mulheres que transam com mulheres.

            Desta forma, as bissexuais também são vulneráveis a obterem pouca orientação necessária, já que além de terem a sua orientação sexual incompreendida, muitas delas possuem receio de passar a informação.

            Manuella Rocha, bissexual, em entrevista nos conta que não obteve êxito em sua consulta com um ginecologista. ‘’Fui ao ginecologista, perguntei sobre as prevenções que eu poderia tomar na minha relação com uma mulher, entre outras dúvidas que eu tenho e ela respondeu que infelizmente não sabia me direcionar sobre o questionamento, pois era incomum e ela não tinha conhecimento’’, diz.

            A saúde sexual das mulheres com práticas homossexuais e bissexuais é pouco conhecida e estudada. Não existem planejamentos satisfatórios de ações preventivas às DSTs destinadas ao grupo, e, por conta disso, muitas evitam a consulta ginecológica por imaginar não ser necessária ou por experiência prévia de frustração com algum profissional despreparado.

            Em estudo realizado pela Universidade da Bahia apenas 28% das mulheres verbalizaram suas práticas sexuais ao médico, em grande parte a iniciativa de falar foi da própria paciente (88,6%) e somente em 5,1% o médico abordou este assunto. Dentre as mulheres que não falaram com o ginecologista sobre sua orientação sexual, 30,6% receberam indicação de uso de métodos anticoncepcionais, 19,4% receberam indicação de uso de preservativo masculino (supondo relações heterossexuais). E com base em outro estudo foi indicado que 80% dos profissionais preferem não lidar com esse tema.

            A ginecologista e Coordenadora Estadual de Políticas para mulheres de São Paulo Albertina Duarte afirma que, por ano, são diagnosticados 58 mil casos de câncer de mama no Brasil, além de quatro mil casos de HPV. "Ainda, 60% dos casos de câncer de boca, laringe e esôfago são causados por HPV. Por isso, a prevenção é essencial. Em mulheres lésbicas, acontece duas vezes mais o diagnóstico tardio de câncer de colo de útero", explica. "É um absurdo que médicos ainda não estejam preparados para atender mulheres homossexuais. Ginecologia não tem a ver com sexualidade, mas com o corpo feminino. Ele precisa ser cuidado", completa.

            Juliana Mattos, ginecologista e obstetra nos conta que o cenário principalmente para a população trans ainda está muito desfavorável por conta das questões culturais, os leigos e ginecologistas profissionais além de serem despreparados em relação ao preconceito, reproduzem também a LGBTfobia, por ainda acharem que não é normal, que é uma doença e tratarem como se fosse uma patologia. ‘’Eu acho que o cenário ainda tem que melhorar muito, as coisas têm que progredir muito e caminhar bastante’’, diz.

            Nesse sentido ela afirma que os ginecologistas vão aprender muito com esses pacientes, que do mesmo jeito que eles precisam do ginecologista, o ginecologista precisa deles também, por ser uma coisa relativamente recente os ginecologistas precisam ter um número grande de casos para ver como que aquele corpo biologicamente vai reagir e funcionar. ‘’A gente precisa do feedback do paciente também, de estar frequentando regularmente o médico, falando as suas queixas e o ginecologista tentando ajudar, nesse sentido ambos vão aprender’’, completa.

Ilustração: iStock

            Conforme o relatório "Transexualidades e Saúde Pública no Brasil: entre a invisibilidade e a demanda por políticas públicas para homens trans/transmasculinos”, feito em 2015, que teve como foco a população de homens trans/transmasculinos de 18 a 37 anos residentes nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, São Paulo e Campinas. Foi realizada uma pesquisa pelo Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT (NUH) e pelo Departamento de Antropologia e Arqueologia (DAA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob coordenação da Profª. Érica Renata de Souza e financiada pelo CNPQ. Que tem o recorte de homens trans ou transmasculinos e mostra que de 27 participantes 85% desta população evita procurar serviços de saúde, mesmo quando precisam.

            Dentre os entrevistados, 50% informaram por meio de um teste de múltipla escolha que evitam atendimento médico por medo de sofrerem preconceito, discriminação ou outro tipo de violência por serem trans. Ou seja, que a transfobia dos profissionais seja um entrave para cuidar da saúde, como já aconteceu com 23,8% dos entrevistados. E com 30,77%, que tiveram seus nomes sociais desrespeitados. Esses dados ainda revelam como os homens trans lidam com exames ginecológicos: 35,6% deles declararam não precisar de atendimento, por isso não procuraram; 28,6% declararam não irem ao ginecologista por se sentirem constrangidos; 10,7% declaram não ter procurado o ginecologista; 10,7% nunca fizeram o Papanicolau/preventivo.

            Bruno Santana, homem trans, nos conta que suas experiências com ginecologistas são problemáticas, em sua primeira ida passou por um constrangimento, por uma violência que começa desde o momento em que o paciente chega no espaço até o momento da sua saída. ‘’Eu lembro que nessa primeira tentativa de acessar um ginecologista fui desrespeitado, tive meu nome social desrespeitado, você percebe nos olhares, na maneira de te tocar, todas essas questões são problemáticas’’, afirma.

            Ele ainda nos conta que nos casos dos homens trans isso se intensifica ainda mais por conta desses profissionais que ainda operam dentro de uma perspectiva patologizante, cis heteronormativa, binária, cisgênera e os corpos dos homens trans acabam sendo invisibilizados, deslegitimados e violentados nesses processos.

            Nessa primeira tentativa de acesso ao ginecologista, Bruno se sentiu frustrado e não conseguiu fazer o exame por conta das violências e ficou muito tempo sem pensar em utilizar esse serviço ginecológico. Mas quando começou a intensificação hormonal, a hormonioterapia sabia que precisava ter esse cuidado redobrado por conta do uso dos hormônios.

            Através de uma participante de um grupo chamado ‘’Mães pela diversidade’’ conseguiu o contato de uma ginecologista que atendia em Simões Filho, que depois de algumas conversas se sensibilizou pelo caso de Bruno e aceitou atendê-lo. Na época, Bruno morava em Feira de Santana e precisou se deslocar para Simões Filho para realizar o exame. Seu nome e gênero já haviam sido retificados. O que acabou se tornando outra barreira no processo ao chegar no espaço em que é exclusivamente de mulheres cis.

            "Quando eu entrei naquele espaço todos os olhares automaticamente voltaram-se para mim, para o meu corpo, eu já tinha uma passabilidade nessa época e eu lembro que minha namorada foi comigo para adentrar o espaço e o que ficou nítido para aquelas mulheres cis que estavam lá era que eu estava acompanhando a minha companheira’’, afirma. "Mas isso logo caiu por terra quando a auxiliar da médica chamou o meu nome, Bruno. Quando ela chamou eu entrei com minha namorada, de repente todas as mulheres se viraram pra mim, e devem ter pensado "O que é isso? Que estranho! Como assim um homem no ginecologista?", relata.

            Bruno conta que a consulta foi tranquila e saiu do consultório com a expectativa de retornar para pegar o resultado. Outra barreira encontrada ao preencher o formulário junto com a enfermeira foi para tentar adicionar o seu nome e gênero no sistema do SUS.

            "Quando ela tentava colocar meu nome masculino e com gênero, não tinha essa opção, então isso foi outra barreira, por conta de o sistema também ser cis e não conseguir comportar, não ser pensado para comportar a possibilidade de um homem trans retificado acessar esse espaço’’, diz. Mesmo não conseguindo o cadastro pelo sistema Bruno nos conta que a enfermeira preencheu seus dados no papel com a data de retorno.

            Passados 20 dias Bruno recebeu uma ligação do laboratório perguntando ‘’Não estamos entendendo, como assim um homem no ginecologista? A gente não vai analisar a sua coleta, não tem como analisarmos a coleta’’. Bruno tentou explicar a sua situação, porém o laboratório não conseguia compreender, no mesmo momento ele informou que iria entrar com um processo contra o laboratório porque o que estavam fazendo era transfobia.

Reprodução: SHUTTERSTOCK

            "Vocês precisam inclusive compreender que existem outros corpos, os homens trans existem, são homens com vagina e que precisam acessar, por conta das suas especificidades com saúde, um ginecologista por terem vagina’’, informou Bruno ao laboratório.

            Para sua surpresa no dia seguinte Bruno recebeu uma nova ligação do laboratório, dizendo que tinham entrado em contato com a ginecologista que realizou o atendeu. "Ela deve ter explicado para eles alguma coisa, e quando também se fala em processo as coisas mudam, eles devem ter minimamente se informado", disse.

            Desse modo, laboratório enviou o resultado do exame via e-mail no dia seguinte. "É surpreendente e ao mesmo tempo é muito cruel e triste saber que eu precisei passar por todo esse constrangimento para poder acessar um direito, que é o direito à saúde, uma garantia que eu deveria ter", completa.

            Depois desse episódio, Bruno decidiu não voltar mais nesta ginecologista, não pelo de ter sofrido alguma violência por parte da médica, mas por conta da situação que ocorreu ter mexido muito com ele, o que fez com que ele procurasse outras estratégias de autocuidado no lugar da ginecologia. ‘’Hoje eu posso relatar que aqui em Salvador eu tenho sido atendido no CEDAP, pela ginecologista Dra. Patrícia, diz.

            "A primeira vez que fui ao CEDAP estava nervoso e preocupado porque eu imaginei que seria mais um episódio de transfobia, mas para minha surpresa foi uma experiência muito positiva e bacana. Foi incrível a consulta pela primeira vez eu entrei e passei por todo processo de forma humanizada, da maneira que deveria ser’’, inteira.

            Em entrevista a Patrícia Maria Almeida Silva, que atua como Ginecologista e Citopatologista da Clínica IDEM e como Ginecologista do CEDAP no Ambulatório de Virologia atendendo mulheres que convivem com HIV/AIDS e no Ambulatório de Atenção à Saúde de Travestis e Transexuais. Ela nos diz que acredita que a primeira dificuldade seja mesmo na formação do profissional. Pouco ou quase nada se discutia sobre o tema durante a graduação e na pós, talvez por tabu, preconceito ou limitação de publicações científicas. Aponta também que hoje vê um cenário diferente e mais favorável, com uma busca maior, dos profissionais de saúde, em entender e discutir mais sobre as demandas específicas do público LGBTT.

            Ela ainda nos conta que como na sociedade em geral, ainda vê muito preconceito e dificuldade de alguns colegas em atender a esse público sem fazer juízo de valor, sem associar a conceitos antigos. Mas felizmente vê também muitos interessados em fazer um atendimento acolhedor, competente e com o respeito que todo paciente merece.

            "Creio que a mudança de cenário se faz quanto mais se discute e se pesquisa sobre o tema. Acho importante que em breve não mais sejam necessários centros e profissionais de referência para atendimento ao público LGBTT. Que estes sejam compreendidos na sua integralidade e tenham livre acesso aos serviços de saúde sem o receio de como será visto pelo profissional que o atende’’, completa.


                GINECOLOGIA NATURAL: O RESGATE DA SABEDORIA ANCESTRAL

            A ginecologia natural está relacionada aos saberes ancestrais das ervas e de outros conhecimentos aplicados a saúde da mulher. Atualmente, é considerado um movimento de mulheres que escolheram adotar os métodos utilizados por suas bisavós e avós para cuidar do próprio corpo sem recorrer imediatamente ao medicamento farmacológico.

            Denominada como uma Terapia Holística para a saúde dessas mulheres, não é necessário formação médica ou especialização em ginecologia para sua prática. A proposta é tratar a saúde delas de forma global, entendendo seu corpo e a complexidade dos seus sintomas analisando a completude das questões, a raiz das enfermidades ou problemas, não focando apenas na consequência gerada no corpo.

            Uma metodologia de resgate da conexão entre a mulher e o feminino selvagem; inicialmente proposto por mulheres da América Latina e que tomou proporções maiores com o crescimento do movimento feminista, assim como do discurso da humanização do parto. Sua visibilidade está relacionada também com as ideias de sustentabilidade ganhando maior espaço na mídia e principalmente com o aumento de pessoas que decidem optar por uma vida mais natural, com menos intervenções artificiais.

            Assim, o movimento resgata artifícios como usar absorventes de pano, banhos de assento, vaporização uterina, chás, alho, iogurte natural ou kefir, modificação da alimentação e menos métodos de contracepção hormonal. O principal foco está no autocuidado, no autoconhecimento e na percepção do próprio corpo e do próprio ciclo menstrual. A mulher entende a importância de entender os sinais produzidos pelo seu corpo, observar, anotar e entender cada detalhe.

            A partir disso, ela consegue compreender facilmente o seu ciclo menstrual, ou seja, quando tem TPM, quando ovula, quando irá menstruar e quando seu muco está anormal, adaptando sua rotina e tomando cuidados especiais em cada fase. Com uso desses artifícios, a Ginecologia Natural pode ajudar a controlar de forma natural diversos incômodos como infecções urinárias, candidíase, corrimentos, menstruação irregular, sintomas de TPM/Menopausa e até contribuir com o aumento da fertilidade.

ilustrações de Mariana Zaragoza

            Muitas mulheres buscam essa alternativa a partir de insatisfações geradas pelo atendimento médico tradicional, como Julia Morais que há 5 anos passou a estudar por meio de livros, grupos do facebook, de pesquisas na internet, ao se perceber incomodada com um atendimento ginecológico convencional.

            “O que não me agrada na Ginecologia convencional é que tratam o nosso corpo como se fossem partes, não têm uma visão completa, uma visão holística do nosso corpo. Tratam só uma parte e acham que está tudo bem, mas na verdade o corpo é um sistema completo. Isso é o que mais me incomoda, esse tratamento como se fossem partes separadas, um remédio para cada parte, como se fosse tratar uma parte e resolver tudo.”, afirma Júlia, que optou por conhecer seu próprio corpo, ciclos naturais e alterações.

             “Para conseguir entender o que estava se passando comigo antes de colocar o meu corpo antes para um médico ou uma médica analisar e diagnosticar”, conta.  Ela também diz que seu maior aprendizado foi conhecer seus próprios ciclos independente do que esteja acontecendo, entendê-los e respeitá-los. “Trabalhar junto com meus ciclos e não contra eles.”, argumenta Julia.

            Thaís Kaveesha, terapeuta tântrica e atuadora no despertar da sexualidade feminina, conta que passou a usar o método também há 5 anos, quando começou a estreitar a relação com o próprio corpo. Ela utiliza como tratamento banhos de assento e o OB de alho. Começou a imersão nesse “novo universo” através de trocas de informação pela internet, principalmente por grupos de Facebook no começo. O tratamento natural não se propõe a substituir a ginecologia convencional, mas complementá-la respeitando o desejo da mulher, que é agente do seu próprio corpo.

            Para Lara Carvalho, terapeuta holística e menstrual, a impessoalidade das consultas médicas afastam as mulheres desse modelo tradicional, assim como a lista de remédios alopáticos, que “contribuem com a indústria farmacêutica que ganha muito dinheiro em cima do adoecimento dos nossos corpos, no tratamento mais dos sintomas do que das causas dessas doenças”, afirma, dizendo que buscar formas alternativas de medicina sempre balizou suas escolhas, “todas essas questões são muito pertinentes num mundo em que a nossa saúde virou um produto, uma commoditie também, uma forma de fazer dinheiro.”, complementa.

            Porém, a mesma, afirma que o tratamento natural não se propõe a substituir o acompanhamento médico convencional, mas complementá-la respeitando a autonomia da mulher, que é agente do seu próprio corpo. Ela afirmou também que busca a medicina tradicional somente em casos de necessidade de exame de imagem.“Autonomia foi o maior ensinamento que eu recebi, saber que eu não preciso recorrer a outra pessoa, eu posso recorrer a mim mesma, ao meu autoconhecimento, as formas de registro que eu encontrei”, conclui.

             Jussara Gomes é ginecologista, formada pela Faculdade de Medicina da Bahia - UFBA, e utiliza dos estudos da Ginecologia Natural para pacientes que demandam essa especificidade. “Respeito a essência das minhas pacientes. Aquelas que são mais naturebas ou veganas, estudo para utilizar sempre que possível, os princípios da natureza.”, afirma.

            “Quase todas as medicações têm um princípio ativo de alguma planta. Podemos utilizar plantas e ervas para leucorréias (corrimentos) por infecções, por fungos e bactérias; algumas para melhorar o trofismo (ressecamento) vaginal; tratar menopausa; redução de alguns miomas em certos casos. Mas mostrando sempre os prós e contras e a rapidez das drogas farmacológicas”, acrescenta Jussara.

RECURSOS

            Alguns materiais e demais recursos da natureza são indicados para tratamentos ginecológicos. Confira alguns dos itens indicados pelo blog Relva Verde para banhos de assento e vaporização:

•          Alecrim: aumenta a circulação dos órgãos reprodutivos é bom para diminuir cólicas menstruais e muito utilizado também no pós-parto (aumenta o fluxo menstrual). Não deve ser utilizado durante a gravidez.

·         Artemísia: ativa a circulação sanguínea e estimula o útero, ajuda a reduzir cólicas menstruais, problemas nos ovários, inchaços e dores uterinas e distúrbios menstruais. Não deve ser utilizada durante a gravidez e período de amamentação.

·         Barbatimão: sua ação anti-inflamatória e cicatrizante ajuda a controlar o corrimento vaginal, atua na cicatrização de feridas, úlceras e hemorragias uterinas.

·         Calêndula: indicada para uso pós-parto ou pós-aborto, auxilia a vinda da menstruação, possui ação cicatrizante, anti-inflamatória e antimicrobiana.

·         Camomila: ajuda a combater os sintomas da TPM, possui ação anti-inflamatória e relaxante. Pode ser usada durante a gestação a partir do terceiro trimestre e durante o trabalho de parto.

·         Erva doce: Auxilia no equilíbrio hormonal, estimula a produção de leite e ajuda nos distúrbios menstruais. Pode ser usada durante a gestação a partir do terceiro trimestre.

·         Sálvia: auxilia no equilíbrio hormonal, ajuda a controlar o corrimento do útero, estimula a menstruação e alivia a TPM e cólicas menstruais. Auxilia também no controle dos sintomas da menopausa (ondas de calor e secura vaginal).

·         Uxi Amarelo: atua no tratamento de miomas, cistos uterinos e ovarianos e na infecção urinária.

·         Unha de Gato: possui ação anti-inflamatória e antibiótica natural. É bom para quem quer engravidar e nos casos de inflamação uterina. Usado em conjunto com o Uxi Amarelo promove a limpeza do útero e ajuda a reduzir miomas que podem dificultar a gravidez. Use diariamente do primeiro dia da menstruação até o período fértil.

·         Lavanda: possui ação antisséptica, antiespasmódica e relaxante. Alivia os sintomas da TPM e da Menopausa.

·         Manjericão: auxilia na regulação da menstruação através do estímulo da atividade uterina. É ideal fazer no período próximo da data regular da menstruação.


DICAS E CONTRAINDICAÇÕES

  1. Os banhos de assento podem ser feitos quinzenalmente
  2. No pós-parto, mulheres que passaram por cesariana devem esperar a recuperação para fazer os banhos de assento e vaporização
  3. A vaporização não deve ser feita quando houver inflamações. Também não é indicada para mulheres que utilizam DIU.
  4. Gestantes não devem fazer o banho de assento nos primeiros meses da gestação.
  5. É recomendado misturar até 4 tipos de ervas com propósitos diferentes para a vaporização ou para o banho de assento.

            “Benefícios e malefícios fazem parte de qualquer medicação”, garante Jussara. No entanto, segundo ela, as drogas farmacológicas certamente tem um poder de ação mais rápido, com testes comprovados; sendo a medicina natural uma constante busca dessas comprovações.

            Gabriela Cardoso é farmacêutica, formada pela UNIFACS, acredita que a ginecologia natural pode ajudar e ser benéfica em alguns fatores na vida de uma mulher, como TPM, alívio de stress, segundo ela atua nesses casos como remédio, “assim como um abraço ou um sorriso que cura”, observa. Mas acredita também que é a ação é muito superficial, afirma que um banho de assento não atua como medicamento, capaz de curar infecções já internalizadas e diz que este não tem poder efetivo para tratar infecções avançadas.

            Ela explica que a infecção não acomete apenas na região que o banho de assento alcança e alerta que a região íntima é muito sensível e o uso de ervas para o autocuidado pode causar alergias; alerta que o maior perigo é a automedicação sem diagnóstico preciso.

GALERIA DE FOTOS

Foto: Brenda Sales

Foto: Brenda Sales

Foto: Brenda Sales

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