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Denúncia contra Cabral e Côrtes é só 'a ponta do iceberg' da corrupção na Saúde

Força-tarefa da Lava-Jato conta com cooperação internacional para rastrear dinheiro

Agência O Globo

Procuradores da força-tarefa da Lava-Jato no Rio afirmaram que a denúncia apresentada, nesta terça-feira, contra o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes e outras cinco pessoas é apenas “a ponta do iceberg” da corrupção na área da Saúde no estado do Rio.

"Essa denúncia engloba 35 repasses mensais de propina pelos empresários, levantadas através da contabilidade paralela na residência do Carlos Bezerra. Esses aportes eram de R$ 400 a R$ 500 mil por mês, somando em torno de R$ 16 milhões. A gente sabe que essa quantia é maior. Essa denúncia de hoje é só a ponta do iceberg da corrupção na Saúde no Estado do Rio", disse o procurador regional da República José Augusto Vagos.

A força-tarefa da Lava-Jato no Rio aposta na cooperação internacional com os Estados Unidos, as Ilhas Virgens e as Bahamas para rastrear o dinheiro de propina recebido pelo empresário Miguel Iskin no exterior e depois distribuído para outros integrantes da organização criminosa.

"As investigações estão caminhando para valores muito maiores. Só de importações, a Secretaria de Saúde fechou contratos de US$ 277 milhões nesse período. Está sendo descortinado que o Miguel Iskin ganhava de 30% a 40% desses valores no exterior e depois fazia a distribuição desse sobrepreço, da propina, tanto para o Sérgio Cabral quanto para outras pessoas que ainda não estão denunciadas, mas que fatalmente vão cair nas investigações, tanto da parte administrativa do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia) até notícia de agentes públicos em Brasília, no Ministério da Saúde", disse a procuradora da República Marisa Ferrari.

Segundo Vagos, o desvio de dinheiro na secretaria de Saúde foi instituído quando Cabral tomou posse como governador, em 2007. Ainda de acordo com o procurador, Sérgio Côrtes teria sido nomeado secretário já com o objetivo de transferir para lá o esquema de corrupção que havia no Into, do qual era diretor.

Doação ao solidariedade

Segunda a denúncia feita pelo MPF, parte da propina, no valor de R$ 500 mil, foi paga pelo empresário Gustavo Estellita por meio de uma doação oficial de campanha ao partido Solidariedade, no dia 25 de julho de 2014. O repasse foi feito em nome da Levfort Comércio e Tecnolgia Médica.

Ainda de acordo com o MPF, essa doação será investigada e poderá fundamentar nova denúncia por lavagem de dinheiro. Perguntados se o repasse poderia ser compra de apoio para a eleição do governador Luiz Fernando Pezão, os procuradores afirmaram que isso ainda será investigado.

"Não necessariamente o partido tinha ciência da origem desse dinheiro", afirmou Vagos.

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