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Polícia reprime protestos que fecham ruas em 50 pontos da Venezuela

Confrontos no estado de Carabobo deixaram vários feridos e detidos

Agência O Globo

Manifestantes opositores bloquearam nesta segunda-feira importantes ruas em 50 pontos do país para continuar a pressão contra o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que encara uma onda de protestos há seis semanas. Nos estados de Mérida e Carabobo, a polícia reprimiu com gás lacrimogêneo manifestantes que tentavam fechar avenidas. Segundo o jornal venezuelano "El Nacional", a repressão aos protestos em Carabobo deixou vários feridos e detidos.

No estado de Carabobo, testemunhas denunciam que a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) realizou diversas detenções quando manifestantes tentavam fechar uma avenida. De acordo com o "El Nacional", durante a repressão as forças de segurança tentaram deter dois repórteres da imprensa local que conseguiram fugir correndo.

Chamado de “grande plantão contra a ditadura”, os protestos pelo país se estenderão por 12 horas, até às 19h locais. Na capital venezuelana, os principais alvos são a avenida Francisco Fajardo e a avenida Victoria, no Oeste de Caracas. No local, venezuelanos fazem atividades semelhantes as do outro plantão que aconteceu no dia 24 de abril: leem livros, sentam no chão e conversam no meio de umas das principais ruas da capital venezuelana. Uma pequena barricada também foi colocada no local, onde manifestantes colocaram bandeiras da Venezuela viradas para baixo, o que já foi criticado pelo chavismo.

— É um dia de resistência, de mostrar organização e firmeza — disse o deputado Freddy Guevara, vice-presidente do Parlamento de maioria opositora, sublinhando que o objetivo é gerar uma espécie de ingovernabilidade. — De maneira nenhuma a Venezuela se calará diante disto. Enquanto houver ditadura, não vai haver tranquilidade.

A oposição denuncia uma repressão selvagem por parte das forças de seguranças e policiais, que dispersam os manifestantes com gás lacrimogêneo e veículos blindados por todo o país. Em Caracas, os militares reprimem os protestos evitando que os opositores cheguem no centro da cidade, bastião do chavismo. Maduro, a quem as forças armadas declararam lealdade incondicional, acusa seus adversários de promover atos terroristas para dar um golpe de Estado.

"Não temos liberdade, nos reprimem, não temos comida e quando temos é extremamente cara. Vou continuar nas ruas até que haja mudança", disse o professor Miguel Martínez.

Maduro enfrenta manifestações contra seu governo desde o dia 1º de abril, que já deixaram cerca de 40 mortos e centenas de feridos e detidos, dos quais uma centena estão sendo processados por tribunais militares, segundo ONGs. A coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) exige eleições gerais para resolver a grave crise política e econômica que se reflete numa escassez de comida e medicamentos e na inflação mais alta do mundo, que chegaria a 720% este ano, segundo o FMI.


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